Embora não seja possível afirmar sem
vacilações quem foi o inventor do cartão postal, o historiador e
cartofilista Elysio de Oliveira Belchior na introdução do livro "O
Rio de Ontem no Cartão-Postal (1900-1930)", conta-nos um pouco
dessa história:
Sabe-se que em junho de 1861, J.P. Carlton patenteou, em
Filadélfia, Estados Unidos, um "postal card" considerado o primeiro
de uma longa série, embora não se conheça sequer um deles enviado
pelo correio antes de 25 de outubro de 1870, quando a patente foi
transferida para H. Lipman, que os editou com o nome
"Lipman’s Card."
A idéia de se enviar correspondências sem o invócrulo protetor do
sigilo também ocorreu, alguns anos mais tarde, ao
, Diretor Geral dos Correios da
Confederação Alemã do Norte. Em Conferência Postal realizada em
1865, o diretor propôs a oficialização do "offenes Post-blatt"
– literalmente, "folha postal aberta" – prática que ele
próprio já utilizava. Agindo assim, com a deliberada intenção de
romper o segredo epistolar, desejava divulgar suas recriminações
contra um determinado fornecedor de vinhos, que o prejudicara em
compra que fizera.
No, entanto o cartão postal tornou-se realidade em 1869, no Império
Austro-Húngaro, quatro anos depois da sugestão de von Stephan,
graças ao Dr. Emmanuel Hermann, professor de Economia da Academia
Militar Wiener Neustadt. Em carta publicada no jornal Die Neue
Freie Presse, de 29 de janeiro do mesmo ano, sob o título "Uma nova
forma de correspondência pelo Correio", o professor salientou a
conveniência do uso de um sistema para as cartas de menor
responsabilidade, que aliasse o baixo custo à simplicidade, obtidos
com a supressão do envelope e o corte de mais da metade da tarifa
postal aplicável.
Oito meses depois, em 1º de outubro de 1869, foi posto à venda o
primeiro e famoso "Correspondenz Karte", com dizeres em cor negra
sobre cartão creme, levando impresso um selo de dois centavos da
moeda austríaca. Sem qualquer gravura, exceto as armas imperiais,
uma das faces destinava-se à mensagem, reservando-se a outra
exclusivamente para o endereço.
A grande aceitação dos primeiros postais, mostrando a validade da
idéia, resultou na venda, logo no ano de lançamento, de dez milhões
de exemplares. O sucesso rompeu fronteiras e, sucessivamente,
diversos países acolheram a inovação.
|
Exercício |
Cartas particulares |
Bilhetes postais |
|
1879/1880 |
41.642 |
- |
|
1880/1881 |
110.442 |
43.909 |
|
1881/1882 |
141.270 |
65.120 |
|
1882/1883 |
312.247 |
121.610 |
|
1883/1884 |
282.248 |
212.662 |
O crescimento da procura dos postais
no Brasil acompanhou o de outros países nas três primeiras décadas
do século XX, época que ficou conhecida como a Idade de Ouro do
Cartão Postal. Os temas que ilustravam este simples pedaço
retangular de papel-cartão produzidos no Brasil eram diversos: a
paisagem bucólica, o cenário urbano com seus jardins e praças,
pontes e avenidas, monumentos indicadores da civilização e do
progresso e elementos representantes de uma cultura dos
trópicos.
Em 1904, o culto aos postais atingiu seu apogeu em território
brasileiro. Junto ao desejo de colecioná-los, surgiu a busca de
autógrafos de pessoas famosas na política, música, ciências, artes
etc que tinham sua imagem estampadas nos
postais.






